terça-feira, 24 de setembro de 2013

ESCORIOSE & ANTRACNOSE DA VIDEIRA

ESCORIOSE


                   Esta doença é causado pelo fungo Phomopsis viticola Sacc.
                Durante o inverno o fungo sobrevive na forma de micélio ou de picnídio nas gemas dormentes da base do sarmento. Nesta forma, nas feridas existentes, pode sobreviver de um a três anos.
                No período de abertura das gemas, quando a picnídia é molhada libera os esporos que são lavados ou jogados, pelos pingos da chuva, sobre os brotos novos em desenvolvimento. Por este motivo é que as lesões de Escoriose aparecem somente nos 2 ou 3 primeiros entrenós. Estes esporos germinam com temperatura baixa e na presença de água livre, ou umidade relativa ao redor de 100%. Nestas condições a infecção pode se instalar em algumas horas. Entretanto, os sintomas somente aparecerão cera de 21 a 30 dias após a infecção.
                É importante salientar que esta doença tende a se dispersar na videira atacada, mas não de uma videira a outra, por isto, o ataque é localizado dentro do vinhedo. A dispersão a longa distancia normalmente é causada pela propagação de material contaminado.
Controle
                   Devido às lesões que permanecem sobre o sarmento ser a fonte de inoculo para as infecções nas brotações novas, recomenda-se  que na poda de inverno sejam eliminadas o máximo possível destas lesões. Quando ocorre ataque severo durante o período vegetativo, recomenda-se realizar tratamento de inverno com calda sulfocalcica a 4 o Baumé.
                No inicio da brotação aconselha-se efetuar dois tratamentos com fungicidas protetores, o primeiro quando os brotos tiverem cerca de 1 cm de comprimento e o segundo com 6 a 12 cm de comprimento (duas a três folhinhas abertas). Entretanto, em períodos muito frios em que o crescimento dos brotos é lento, é aconselhável realizar uma ou duas aplicações suplementares.
                Como esta doença se propaga na fase inicial do desenvolvimento vegetativo quando a área foliar é pequena e neste estágio a absorção de produtos sistêmicos ou de profundidade é muito pequena ou nula, recomenda-se usar produtos de contato. Neste caso os mais indicados são: dithianon, mancozeb, captan e enxofre.



ANTRACNOSE
                   A doença é causada pelo fungo Elsinoe ampelina (de Bary).
                O fungo hiberna, nas lesões existentes nos sarmentos, através  da estrutura chamada de sclerocia, e, na primavera quando ocorrer um período úmido por 24 horas e temperaturas acima de 2 oC produz muitos esporos, conídios. Os conídios são projetados para as partes verdes da planta através da água livre ou chuva de no mínimo 2 mm.
                Além de causar perda de produção, pode afetar toda a parte aérea da planta comprometendo seu desenvolvimento nos anos subsequentes. O patógeno ataca todos tecidos verdes e jovens da videira, como as folhas, ramos, pecíolos, gavinhas, inflorescência e frutos, ocasionando perdas que podem chegar a 100%, caso medidas adequadas de controle não sejam tomadas. Outro dano observado é o baixo vigor das plantas que foram atacadas no ano anterior, vindo a comprometer a safra seguinte.
                A fase crítica é o início da brotação onde o controle é indispensável. A severidade da doença depende, principalmente, das condições locais de alta umidade e exposição a ventos frios.
Controle
                   Algumas medidas preventivas podem ser tomadas para evitar ou minimizar o risco de ocorrência desta doença, tais como:
                - Evitar o plantio em lugares com alta umidade e em terrenos expostos a ventos frios.
                - Utilizar material vegetativo sadio.
                - Na poda de inverno eliminar o maior número possível de sarmentos com lesões de antracnose.
                - Fazer tratamento de inverno com calda sulfocálcica a 4 o Baumé.
                Durante o período vegetativo aplicar fungicidas recomendados para o controle desta doença, iniciando quando a brotação tiver de 5 a 10 cm de comprimento e seguir até que as condições climáticas sejam favoráveis ao desenvolvimento da doença (temperatura mínima abaixo de 18 oC).
                Os fungicidas indicados para o controle desta doença são:
a)          – Fungicidas de contato – dithianon, captan, folpet, clorothalonil, maneb e mancozeb.
b) – Fungicidas sistêmicos – Tiofanato metílico, difeconazole, tebuconazole e imibenconazole.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ANCO, D.J.; ERINCIK,O. and ELLIS, M.A.- Phomopsis cane and leaf spot of grape. Department  Patology. Ohio State University Extension. 2011.
HILTON, J. and MOLLON, D. – Phomopsis cane and leaf spot. Department of Horticulture, Department of Plant Patology. University of Minnesota.
NAVES, R.L.; GARRIDO, L.R.; SONEGO, O.R. e FOCHESATO, M. – Antracnose da videira: sintomatologia, epidemiologia e controle. Embrapa Uva e Vinho. Circular Técnica 69. 2006,
PEARSON, R.C. and GOHEEN, A.C. – Compendium of grape diseases. 1st ed. American Phytopathological Society Press, St. Paul, Minnesota, USA. 1988
RAWNSLEY, B. and WICKS, T. – Phomopsis vitcola. Pathogenicity and management. South Africa Research and Development Institute (SARDI). 2002.



domingo, 8 de setembro de 2013

VITICULTURA – a brotação


 

 
 


                   Quando as gemas estão em plena dormência, durante o inverno, elas são isoladas do sistema vascular da planta, desidratadas, saturadas de compostos para resistirem ao congelamento (açucares e proteínas). Os elementos vasculares dos ramos e tronco são fechados com tecido caloso  (floema) ou enchidos de água (xilema). Na primavera quando a brotação inicia, a videira necessita restabelecer a conexão entre as gemas e as raízes. Este processo, que inicia com a abertura das gemas, somente se completará próximo a floração.

                Uma vez que as videiras entraram em dormência no inverno, as gemas não brotam enquanto não tiver alta temperatura, elas devem passar por um período mínimo com temperatura de 5 oC para brotarem. No final do inverno, após ter ocorrido o período mínimo de frio, as gemas tendem a brotar com o aumento da temperatura por qualquer número de dias e na presença de umidade.

                No inicio da primavera quando a temperatura aumenta e as gemas são reidratadas (chuva, neblina, alta umidade relativa do ar), elas gradualmente desaclimatam e perdem a resistência a baixas temperaturas. Com temperaturas acima do ponto de congelamento, as enzimas dependentes da temperatura começam a ser ativadas, seu grau de ativação dobra a cada 10 oC.  Com o aquecimento do solo, a atividade radicular é ativada e o sistema capilar conduz a água para o tronco e parte aérea, resultando na circulação da seiva e aumentando a hidratação das gemas. As gemas incham e iniciam a nova conexão vascular.

                Após sofrerem o efeito das baixas temperaturas que provocou a sua saída da dormência, as gemas permanecem pelo menos até final de Agosto na fase de pós-dormência, neste transcurso ocorre uma evolução fisiológica independente do frio hibernal. As baixas temperaturas neste período parece não modificar sensivelmente o estado das gemas latentes cujas exigências de frio foram satisfeitas. Portanto, as gemas sofrem uma evolução fisiológica lenta que as aproxima do estado de brotação.

                O período de crescimento vegetativo inicia com um fenômeno típico da videira, embora nem sempre seja perceptível, o choro. Este se manifesta cerca de 15 dias antes do inicio da brotação com a emissão de líquido nos cortes da poda. O choro é a consequência do rápido incremento do ritmo de absorção de água pelas raízes. Este líquido é rico em substâncias minerais e orgânicas, como tartaratos, substâncias gelatinosas, nitrogênio, mas especialmente açúcares (principalmente a glicose) provenientes da hidrolise do amido radicular. Quanto mais vigorosa a planta maior a quantidade de liquido que pode verter; para evitar o choro é suficiente recorrer à poda precoce, isto é; antecipar a poda, permitindo assim que ocorra a cicatrização da ferida.

                Quanto ao inicio da brotação, as diferentes cultivares se distinguem umas das outras pelo seu ritmo vegetativo próprio, que se manifesta pela precocidade de brotação em condições naturais. Portanto, cada cultivar reage de modo diferente frente à temperatura e sofre uma evolução fisiológica cuja velocidade e intensidade depende sobre tudo do seu ritmo vegetativo.

                A brotação inicia quando a temperatura média diária ultrapassa os 10 oC por um período de 7 a 10 dias consecutivo. Além disso, é controlada pelo estimulo do hormônio de crescimento, citocinina, hormônio este sintetizado nas raízes e transportado via seiva para os ramos e outro fator importante é que nas gemas já ocorreu à eliminação do hormônio que inibe o crescimento, ácido abcíssico.

               

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

AWRI – Bud dormancy an budburst. Research to Practice. www.awri.com.au

FREGONI, M – Viticoltura di Qualità.Editore Phytoline. Via Pascoli,4 – Affi (Vr), 2005.

GONZALO, F. G. y PSZCZCÓTKOWSKI, Ph – Viticultura – Fundamentos para Otimizar Producción y Calidad. Ediciones Univ. Cat. De Chile, Santiago, 2007.

MARTINSON, T. and GOFFINET, M.  – How Grapevines Reconnect in the Spring. Cornell University. College of Agriculture and Life Sciences Viticulture and enology Program.

RIBÉREAU – GAYON, J. et PEYNAUD, E – Ciências y Técnicas de la viña. Tradução Conrado Ponce de Leon. Editorial Hemisferio Sur AS. Buenos Aires, 1982.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A PODA DE PRODUÇÃO DA VIDEIRA


               A poda consiste na eliminação ordenada de uma porção da copa, normalmente sarmentos com gemas ou brotos com folhas e, ocasionalmente, raízes. Isto produz alterações importantes na planta, que podem ser positivas ou negativas, por isto deve ser feita por pessoas que tenham conhecimento e com objetivos bem claros.

                A poda de produção deve conferir-lhe facilidade de manejo (controle das dimensões da videira, manutenção da forma original), adequada iluminação no interior da copa (espaço entre os esporões e/ou varas e os brotos), controle da carga de frutos (localização da madeira de produção, quantidade de flores e frutos, qualidade dos frutos, uniformidade de produção ao longo dos anos), longa vida (manter o vigor, regulando competências e evitar o envelhecimento), sanidade (eliminação da madeira doente ou morta) e também persegue reparar danos ou deformações.
                A poda pode ajudar a atenuar os elementos adversos como geadas primaveris, excesso de temperatura e umidade nos cachos, etc.; embora não seja fator decisivo visto que, uma variedade bem adaptada, um sistema de condução apropriado e outros aspectos do cultivo, tenham um papel mais importante.
                A poda pode atrasar o inicio da brotação e com isto reduzir o risco de geadas primaveris ou evitar condições climáticas adversas em momentos críticos do período fenológico, tais como o inicio da maturação. Este efeito pode ser conseguido mediante a poda tardia, logo antes da brotação e inclusive mediante a execução de duas podas: uma pré-poda, onde se deixa somente os sarmentos que formarão os futuros esporões ou varas, porém com um maior numero de gemas e após a poda definitiva, quando se calcula que o período de geadas passou, deixando então a videira com a carga correta de gemas.

                A característica principal que relaciona uma variedade com a poda é a fertilidade das gemas, entendendo-se esta como o número de inflorescências por broto. Variedades férteis em suas gemas basais admitem poda curta, inclusive esporões de uma única gema. Ao contrário, existem outras variedades que somente possuem fertilidade nas gemas mais altas, quarta, quinta ou mais; exigindo, por tanto, uma poda longa.
                Entende-se por fertilidade das gemas o número de cachos que é capaz de originar. Existe uma grande flutuação de valores de fertilidade: nas gemas basais, geralmente, é reduzida ou nula porque estas se formam num período desfavorável a diferenciação. O mesmo pode-se dizer das gemas da extremidade apical, enquanto que na faixa central do sarmento a fertilidade é mais alta, porque durante o seu desenvolvimento as gemas foram beneficiadas por uma melhor nutrição e melhor condição climática.
                O método mais comum de determinar a carga de gemas é empírico e se baseia no vigor, tomando-se como base a quantidade e o tipo de lenho presente (diâmetro, comprimento e ramificações dos sarmentos). De ano em ano faz-se ajustamentos para mais ou para menos. Outro método baseia-se na pesagem dos sarmentos resultantes da poda, de certo número de plantas representativas, comparando-se com o do ano anterior.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

MORTE DESCENDENTE DA VIDEIRA


MORTE DESCENDENTE DA VIDEIRA

 

                As doenças do lenho são hoje responsáveis por significativos prejuízos em vinhedos de todo o mundo, atacando em todos os estágios de crescimento da videira,  causando o declínio lento e perda de produtividade. A infecção pode ocorrer através do material de propagação ou via as feridas da poda de inverno.

                Este é um problema que preocupa todos os viticultores, principalmente por não existir um tratamento curativo para as plantas infectadas, ainda mais, por ser doenças que podem passar despercebidas durante grande parte da sua evolução  e só se manifestar muitas vezes quando os danos já são irreparáveis.

O risco de ocorrer à infecção é determinado, em grande parte, pela suscetibilidade da ferida. Neste sentido numerosos fatores contribuem, como: período do ano em que é feito o corte, o tempo que a ferida demora para cicratizar,  movimento da seiva e temperatura. As feridas feitas no inicio do inverno são suscetíveis por quatro a cinco semanas, enquanto que as feitas no final do inverno ou inicio da primavera são suscetíveis por 10 a 14 dias. As feridas cicatrizam mais rapidamente quando feitas mais tarde do que no inicio do inverno devido ao mecanismo natural da videira. As feridas também tendem a secar mais rapidamente com temperatura mais alta, que ajuda a cicatrizar. A temperatura mais alta no final do inverno também favorece o desenvolvimento de outros microorganismos na superfície da ferida, promovendo competição por nutrientes e antagonismo entre eles reduzindo a possibilidade de infecção. Alem disso, próximo ao inicio da brotação ocorre exsudação de seiva que pode expulsar os esporos de dentro dos vasos do xilema.

O tamanho da ferida também influencia na suscetibilidade. Os cortes maiores tem maior possibilidade de infecção, visto terem maior área para o fungo se instalar. Alem disso, demoram mais para cicatrizar. Estudos demonstraram que não há diferença de suscetibilidade entre cortes na madeira de dois ou três anos. Entretanto, cortes feitos na madeira de um ano tendem a ter muito menor risco dos feitos em madeira velha.

No vinhedo, o período decorrido entre a infecção nas feridas e o aparecimento de sintomas nas folhas varia de 1 a 8 anos. A invasão do micélio na madeira das diferentes variedades de uva é na base de 10 a 18 mm por ano. Os sintomas na madeira aparecem após diversos anos, e provavelmente contribui pela morte das plantas, entretanto, a severidade dos sintomas nas folhas varia de ano a ano, provavelmente devido aos fatores ambientais. Existem poucas informações sobre o efeito do ambiente no desenvolvimento da infecção, crescimento e aparecimento dos sintomas.

Os sintomas da morte descendente do lenho podem ser verificados  nos braços e no tronco pelo aparecimento, interno, de manchas necróticas e de consistência dura e com coloração acastanhada e nas folhas pelo tamanho reduzido, crispamento, necroses marginais  e que podem estender-se a toda a folha . A morte do lenho dá-se a partir de uma ferida e caminha pelo ramo no sentido descendente.

 


Os estragos desta doença refletem-se ao nível produtivo, causando desavinho e redução da produção, na perda de qualidade, podendo em algumas variedades haver a redução do componente aromático, e perdas econômicos devido ao replantio das videiras mortas.

Entre os fatores que favorecem o desenvolvimento destas doenças convém salientar:

- Clima (temperatura e umidade) exerce um papel importante no desenvolvimento destas doenças. Os períodos de chuva e frio durante a época da poda são favoráveis à dispersão dos esporos e ao desenvolvimento.

- Época da poda, especialmente durante período de chuva e de frio. Quando a poda ocorre no inicio do inverno as feridas de poda mantêm-se receptivas à doença por períodos mais ou menos longos 4 a 5 semanas, enquanto que quando a poda é feita no final do inverno ou inicio da primavera diminui a suscetibilidade à doença;

- Todos os sistemas de poda que originam grandes feridas promovem a instalação destas doenças, sendo a condução em Guyot citada como mais favorável que a poda em cordão esporonado;

- A receptividade da videira à doença está também relacionada com a idade das plantas, ou seja, as videiras adultas com 25 a 30 anos apresentam a máxima susceptibilidade, embora possa contaminar videiras jovens;

- Há autores que referem à influência de certos porta-enxerto, como do gênero Rupestris. (devido à sua riqueza em taninos);

- Fatores que aumentem o vigor da videira, especialmente nos primeiros cinco anos da plantação (solos férteis, porta-enxerto vigoroso, adubações excessivas);

- Todas as técnicas culturais que possam provocar feridas (cortes de poda de grandes dimensões, acidentes com maquinas e ferramentas, escarificações profundas, etc);

- Falta de desinfecção dos utensílios de corte bem como plantas mortas deixadas sobre o solo, favorecem a disseminação dos fungos responsáveis por estas doenças.

Controle

                   Na ausência de tratamentos químicos eficazes, torna-se assim imperativo adotar medidas profiláticas (meios de luta cultural) de forma a reduzir a fonte de inoculo e o risco de contaminação, e paralelamente proceder à reconversão ou replantio das videiras afetadas, a fim de diminuir os impactos destas doenças.

Diversas práticas de manejo são preconizadas para evitar o ataque dos fungos causadores da morte descendentes, como a retirada e queima de toda a madeira da poda de dentro do vinhedo, não podar quando chove ou houver alta umidade e podar o mais tarde possível e pincelamento das feridas com pasta protetora.

No caso de videiras atacadas é recomendável eliminar toda a parte com sintomas até cerca de 10 cm abaixo do local em que não aparecem mais sintomas.

A eliminação da parte das videiras atacadas de dentro do vinhedo pode reduzir o nível da fonte de inoculo, entretanto somente isto não é suficiente. Os esporos do fungo podem ser carregados pelo vento por cerca de 50 km e há muitas fontes de inoculo, como árvores frutíferas, árvores nativas e plantas ornamentais.

A transmissão via ferramentas de trabalho é sem duvida o maior fator de disseminação da doença. Entretanto, o uso de fungicida sobre a ferida elimina qualquer fungo disseminado pela ferramenta. Mas a desinfecção da ferramenta é uma prática aconselhável.

Há estudos indicando que o Tebuconazole, Fenarimol, Cyprodinil + Fludioxonil e Tetraconazole são os fungicidas que mais inibem a germinação de esporos e também inibem o desenvolvimento das hifas.

Portanto, como medida de prevenção devemos adotar a estratégia de pincelamento das feridas feitas sobre o lenho, quer seja de poda, eliminação de parte atacada ou acidentais, com um dos seguintes produtos:

1 – Pasta bordalesa = em 10 litros de água dissolver 2 kg de Sulfato de Cobre e 2 kg de cal.

2 – Tinta plástica = em um litro de tinta plástica adicionar 20 ml (g) de um dos fungicidas acima indicados.

 

 

Bibliografia consultada

ALMEIDA, F. – Doenças do lenho da videira – Eutipiose e Esca. Cadernos Técnicos ADVID. 2007.
BESTER, W., CROUS, P.W. and FOURIE, P.H. - Evaluation of fungicides as potential grapevine pruning wound protectants against Botryosphaeria species. Australasian Plant Pathology 36. 2007.
 
CARTER, M.V. - The status of Eutypa lata as a pathogen. Monograph – Phytopathological Paper No. 32. (International Mycological Institute, Surrey, UK). 1991.

HALLEEN, F., FOURIE, P.H. and CALITZ, F.J. - In vitro sensitivity of Eutypa lata to various fungicides. Wynboer. 2001.

SOSNOWSKI, M.R., WICKS, T.J., LARDNER, R. and SCOTT, E.S. - The influence of grapevine cultivar and isolate of Eutypa lata on wood and foliar symptoms. Plant Disease 91. 2007.

SOSNOWSKI,M.CREZSER,T. WICKS, R. LARDNER, R and SCOTT,E. -  Protection of grapevine pruning wounds from infection by Eutypa lata. Australian Journal of Grape and Wine Research, 14. 2008.

SOSNOWSKI,M., LOSCHIAVO, A., WICKS, T. and SCOTT,E.- Managing eutypa dieback in grapevines. Australian & New Zealand Grapegrower and Winemaker. 2009.

SOSNOWSKI, M. & LOSCHIAVO, A. -  Management of Eutypa dieback and Botryosphaeria canker in south-western Western Australian vineyards. 2010.

TEY-RULH, P., PHILIPPE, I., RENAUD, J.M,, TSOUPRAS, G., De ANGELIS, P., FALLOT, J. and TABACCHI, R. - Eutypine, a phytotoxin produced by Eutypa lata the causal agent of dying-arm disease of grapevine. Phytochemistry 30. 1991.

 

sábado, 11 de maio de 2013

VITICULTURA - Poda da Videira



A PODA DA VIDEIRA

 

                Embora a gestão da copa esteja mais relacionada com a operação de poda verde, as decisões tomadas durante a poda de inverno (número de gemas, comprimento da poda, posição dos esporões e das varas, etc.) podem ter uma influência determinante no crescimento da copa, na produção e na composição final da uva. Neste sentido, um dos temas mais debatidos, embora ainda por resolver, é a eleição entre a poda curta (esporões) ou longa (varas). É verdade que com a poda em esporões se obtém uma brotação bem mais numerosa, porém o sistema Guyot garante uma maior fertilidade das gemas e cachos maiores, equilibrando a situação, e o resultado final é uma produção por videira muito parecida. Como conseqüência é conveniente observar que tampouco diferem quanto à composição da uva, sólidos solúveis do mosto e concentração de antocianina. Por outro lado, se levarmos em consideração a mão-de-obra, esta comparação inclinaria a balança em favor da adoção da poda longa, pois embora a poda em cordão esporonado implique num significativo ganho de mão-de-obra por ocasião da poda de inverno, requer maior número de horas para a poda verde e levando-se em consideração a falta de mão-de-obra é conveniente diminuir a necessidade para a poda verde. Porém, tem outro detalhe a considerar: o hábito de brotação de cada variedade - é de conhecimento geral que existem variedades de uva de difícil brotação em poda longa e isto pode resultar em grande perda de produção e é variável de região a região.

                A característica principal que relaciona uma variedade com o tipo de poda é a fertilidade das gemas, entendendo-se esta como o número de inflorescências por broto. Variedades férteis em suas gemas basais admitem poda curta, inclusive esporões de uma única gema. Ao contrário, existem outras variedades que somente possuem fertilidade nas gemas mais altas, quarta, quinta ou mais; exigindo, por tanto, uma poda longa.

                Geralmente fala-se de fertilidade média, que é dada pelo número total de cachos divididos pelo numero de gemas deixadas na planta por ocasião da poda de inverno. A fertilidade pode flutuar entre valores abaixo de uma unidade até o máximo ao redor de três unidades. A fertilidade é condicionada grandemente a variedade, ao clima, às condições gerais de nutrição e sanitárias, ao tipo de poda, ao porta-enxerto, etc. Dentro de certos limites, a fertilidade da gema é correlacionada positivamente ao vigor do sarmento e do tronco; vigor excessivamente baixo e alto deprime a fertilidade das gemas.

                O método mais comum de determinar a carga de gemas é empírico e se baseia no vigor, tomando-se como base o desenvolvimento dos sarmentos (diâmetro, comprimento e ramificações). De ano em ano faz-se ajustamentos para mais ou para menos. Outro método baseia-se na pesagem dos sarmentos resultantes da poda, de certo número de plantas representativas, comparando-se com o do ano anterior.

ÉPOCA DA PODA - A poda de inverno, como é de conhecimento, realize-se durante o período de dormência da videira. Sabe-se que este período, no hemisfério Sul, vai de Maio a final de Agosto, agora, quando podar dentro deste espaço de tempo depende das condições macro e mesoclimáticas do local, e de cada estação, e da disponibilidade de mão-de-obra em relação a área cultivada.

                O período da poda tem potencial influência no desenvolvimento das inflorescências nas gemas e na brotação da videira. Há estudos que demonstraram que ocorre redução da brotação das gemas distais, em varas,  quando a poda for realizada no final do período de dormência. Este fenômeno é importante porque o desenvolvimento apical que é normal na videira é modificado pela poda tardia, resultando na diminuição da brotação das gemas distais e na melhor brotação das gemas ao longo da vara. Isto se deve a melhor distribuição da auxina, fito hormônio que induz a divisão celular e o desenvolvimento, quando as gemas estão mais maduras no final do período de dormência. Neste estágio as gemas terminais estão aptas a iniciarem a produção de auxinas para dar inicio a brotação e isto inibe a dominância apical observada nas gemas distais.




 

               
               



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

VITICULTURA - Operações pós-colheita


OPERAÇÕES PÓS-COLHEITA DA UVA

 

                Com a colheita da uva não significa que o viticultor esteja em férias, existem cuidados que devem ser tomados na pós-colheita e que são muito importantes na vida da planta e no desenvolvimento da vegetação no ciclo vegetativo seguinte. Entre estes cuidados podemos citar; tratamentos fitossanitários, adubação, semeadura de cobertura verde e, se necessário, coleta de amostra de solo para análise.

                A videira, como as outras plantas, tem a capacidade de manufaturar seu próprio alimento através do aproveitamento da energia solar que a converte em energia química. A intensidade com que este aproveitamento da energia solar ocorre (fotossíntese) depende da temperatura, umidade atmosférica, disponibilidade hídrica do solo, intensidade luminosa e da fertilidade do solo. Os produtos oriundos da fotossíntese são normalmente chamados de fotoassimilados (açucares e outros carboidratos), que é o alimento energético utilizado pela planta para o seu desenvolvimento e para manter as funções vitais. O aproveitamento destes fotoassimilados, em menor ou maior quantidade, varia conforme a estação do ano, dependendo da produção de fotoassimilados e da demanda de cada parte da planta. A maioria dos produtos elaborados são inicialmente enviados as partes em crescimento, como os ramos, frutos e raízes. Durante a maturação da uva a preferência é para atender os frutos e somente o excesso é que vai para a reserva. Após a colheita todos os fotoassimilados são direcionados as raízes e tronco para formar a reserva de carboidratos. Esta reserva de carboidratos, nas raízes e tronco, serve para prover de energia a nova brotação no ano seguinte. Por este motivo é muito importante manter as folhas sadias após a colheita até a senescencia das mesmas para que elaborem fotoassimilados a fim de abastecer os órgãos permanentes (raízes, tronco) com carboidratos e isto conseguiremos se continuarmos tratando a folhagem a fim de evitar a entrada de doenças e assim mantê-las na planta o maior tempo possível.

                A disponibilidade de carboidratos, como fonte de reserva, no inicio do ciclo vegetativo é muito importante porque a videira, diferentemente das outras árvores frutíferas, apresenta diferença entre o inicio do crescimento dos brotos e das raízes. Normalmente as raízes iniciam o crescimento após o aparecimento dos brotos, isto porque a temperatura do solo geralmente limita tanto a expansão do sistema radicular como a sua proliferação, principalmente no inicio da temporada de crescimento, e a videira depende então destes carboidratos para as suas funções vitais.

                A demanda por nutrientes no inicio do ciclo vegetativo não pode ser atendida pelas novas raízes e a planta vale-se então das reservas existentes. Estudos indicam que nas primeiras semanas de desenvolvimento da vegetação cerca de 50% do nitrogênio e do fósforo, 15% do potássio e 5% do cálcio e do magnésio são provenientes das reservas.

Conradie (1980 e 1981) determinou a absorção de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio em cada fase do ciclo vegetativo.

Elemento
Brotação a floração (%)
Floração
(%)
Final da floração ao inicio da maturação (%)
Inicio da maturação a colheita
(%)
Pós- colheita
(%)
Nitrogênio
14
14
38
-
34
Fósforo
16
16
40
-
28
Potássio
15
11
50
9
15
Cálcio
10
14
46
8
22
Magnésio
10
12
43
13
22

               

Isto demonstra a importância da adubação pós-colheita, pois os nutrientes absorvidos após a colheita, não migram para as folhas, mas para os órgãos permanentes e servirá para suprir a necessidade inicial quando as raízes absorvem menos nutrientes do que a planta necessita.

                A manutenção e/ou instalação de cobertura verde no solo (adubação verde) desempenha papel importante na conservação do solo e na fertilidade do solo, por melhorar o controle da erosão, manter a fertilidade, aumentar a porosidade devido à penetração das raízes e sua decomposição, aumentar o teor de matéria orgânica, melhorar a atividade biológica, além da possibilidade de diminuir o uso de herbicidas. Várias espécies podem ser utilizadas para este fim, como aveia preta, ervilhaca, nabo forrageiro, azevém e a manutenção da própria vegetação espontânea.