segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

DOENÇAS DA VIDEIRA E CONTROLE


                Segundo Walker (1965), “Para cada variedade ou espécie vegetal existe um conjunto de condições ambientais que favorece seu ótimo desenvolvimento. Na natureza, entretanto, essa situação ideal raramente existe e, como consequência, cada espécie vegetal está sujeita às vicissitudes do meio ambiente. Quando um ou vários dos fatores do ambiente chega a ser especialmente desfavorável, o desenvolvimento da planta se altera e se manifestam características anormais. As plantas doentes se distinguem por alterações em seus processos estruturais ou fisiológicos que são consequências do ambiente desfavorável ou de agentes parasitários de qualquer classe”.

                Para Gaumann (1950), “doença é um processo dinâmico no qual hospedeiro e patógeno, em intima relação com o meio, se influenciam mutuamente, do que resultam modificações morfológicas e fisiológicas. Por ação conjugada dessas forças recíprocas, a doença não pode ser considerada como uma simples reação da planta à infecção do patógeno e sim, como um processo independente, um complexo biológico autônomo de suas partes, quando o parasita e hospedeiro se unem em vida comunal em ordem mais elevada que a simples soma de vidas separadas”.

                         A proteção da planta hospedeira é comumente obtida pela aplicação de fungicidas e visa diretamente os patógenos, impedindo a sua penetração. A eficiência da proteção depende das características inerentes do produto, bem como da estratégia de aplicação. O método, a época, a dose e o número de aplicações, bem como os produtos mais adequados, são aspectos que devem ser considerados nos programas de proteção.

                 Um dos principais objetivos da Fitopatologia é aplicar métodos adequados para combater as diversas enfermidades originadas por agentes bióticos e/ou abióticos nas plantas cultivadas ou de interesse humano, mediante uma série de princípios, medidas e procedimentos ou ações com a finalidade de eliminar, reduzir ou atenuar os danos e/ou perdas causadas por estes agentes.

                  Em se tratando da videira, a possibilidade de ocorrer doenças fitopatológicas vai desde a brotação até a queda das folhas.    

ESCORIOSE

A primeira doença que normalmente aparece, mediante condições de baixas temperaturas, ventos frios e umidade, é a Escoriose (Phomopsis viticola). O fungo Phomopsis viticola, pode sobreviver na forma de picnídios nas lesões existentes de um a três anos. Quando o picnídio é molhado exsuda os esporos que são lavados ou jogados sobre os brotos novos em desenvolvimento. Estes esporos germinam com temperatura entre 1 e 32 oC, sendo a temperatura ótima para a germinação de 23 oC, e  na presença de água livre, ou umidade relativa ao redor de 100%, a infecção pode se instalar em algumas horas. Entretanto, os sintomas aparecerão somente cerca de 21 a 30 dias após a infecção.

A onde a doença é endêmica, torna-se severa em condições de muita chuva no início da primavera e temperaturas baixas. Com temperaturas entre 5 oC e 7 oC os brotos crescem lentamente e neste estágio são muito suscetíveis à doença (comprimento de 3 a 10 cm).

Controle


                Devido às lesões que permanecem sobre o sarmento serem a fonte de inoculo para as infecções nas brotações novas, recomenda-se  que na poda de inverno sejam eliminadas o máximo possível destas lesões. Quando ocorre ataque severo durante o período vegetativo, recomenda-se realizar tratamento de inverno com calda sulfocálcica a 4 o Baumé.

                        Como esta doença se propaga na fase inicial do desenvolvimento vegetativo quando a área foliar é pequena e neste estágio a absorção de produtos sistêmicos ou de profundidade é muito pequena ou nula, recomenda-se usar produtos de contato. Neste caso os mais indicados são: dithianon, mancozeb, captan e enxofre.

                        A partir do broto com 3 a 4 folhas abertas há probabilidade de ocorrer ataque de Antracnose e Míldio concomitantemente. Portanto, devemos realizar tratamentos preventivos para as duas doenças.

ANTRACNOSE (Elsinoe ampelina (de Bary)).

                      O fungo hiberna, nas lesões existentes nos sarmentos, através da estrutura chamada de esclerócio, e, na primavera quando ocorrer um período úmido por 24 horas e temperaturas acima de 2 oC produz muitos esporos, conídios. Os conídios são projetados para as partes verdes da planta através da água livre ou chuva de no mínimo 2 mm. Os conídios germinam e causam a infecção primária quando existir água livre pelo período de 12 horas e temperatura entre 2 e 32 oC; as infecções subsequentes variam quanto ao tempo de aparecimento do sintoma em função da temperatura, podendo ser de 13 dias para temperatura de 2 oC ou 4 dias para temperatura de 32 oC.

Controle


                Algumas medidas preventivas podem ser tomadas para evitar ou minimizar o risco de ocorrência desta doença, tais como:

                - Evitar o plantio em lugares com alta umidade e em terrenos expostos a ventos frios.

                - Utilizar variedades com maior resistência à doença.

                - Utilizar material vegetativo sadio.

                - Na poda de inverno eliminar o maior número possível de sarmentos com lesões de antracnose.

                - Fazer tratamento de inverno com calda sulfocálcica a 4 o Baumé.

           Durante o período vegetativo aplicar fungicidas recomendados (dithianon, captan, folpet, clorothalonil, maneb, mancozeb, Tiofanato metílico, difeconazole, tebuconazole e imibenconazole), iniciando quando a brotação tiver de 5 a 10 cm de comprimento e seguir até que as condições climáticas estejam favoráveis ao desenvolvimento da doença (temperatura mínima abaixo de 18 oC).

MÍLDIO (Plasmopora vitícola (Berk & Curt))

                O fungo hiberna sob a forma de oósporos no interior das folhas caídas sobre o solo durante o outono e pode, também, passar o inverno na forma de micélio dormente sobre os sarmentos atacados. Estes esporos são muito resistentes e podem sobreviver por mais de cinco anos.

                No final do ciclo vegetativo, outono, nas manchas de Míldio existente nas folhas, desenvolve-se os oósporos. Estes  podem ser produzidos com qualquer temperatura, mas parece que a sua formação ocorre preferencialmente sob condições de pouca umidade relativa, quando a esporulação se torna difícil, ou quando as folhas estão em senescência.

                Na primavera, quando o solo está suficientemente úmido, e a temperatura é superior a 12 ºC, mediante a ocorrência de 1 a 2 dias de chuva com a intensidade de no mínimo 10 mm, os oósporos germinam emitindo um órgão (macroconídio). Uma vez que o esporângio  se desenvolveu, libera os zoósporos que são transportados para as folhas novas pela ação dos pingos da chuva ou pelo vento. Estes zoósporos caindo sobre os órgãos verdes da videira, por possuir cílios que se movimentam, nadam em direção aos estômatos encistam-se e penetram, instalando-se na câmara estomática, daí o promicélio se expande através do espaço intercelular colonizando o tecido do hospedeiro. Sob condições favoráveis de temperatura e umidade o tempo decorrido entre a penetração e a germinação é de 90 minutos.

Controle

                Dentre todas as doenças da videira o Míldio é aquela cuja proteção é mais importante devido a sua frequência, ao seu longo período de atividade e a gravidade dos prejuízos que causa.

                No início do ciclo vegetativo da videira quando a área foliar ainda é pequena, a temperatura não está dentro da faixa ótima para o desenvolvimento do míldio e a quantidade de inoculo é pequena, embora ocorram chuvas, os estragos que podem ser causados pelas infecções primárias são insignificantes. Nesta fase correspondem aos primeiros tratamentos, entre 2 a 3 folhas visíveis e os cachos visíveis, as intervenções podem ser feitas com produtos de contato, mesmo com tempo chuvoso. Embora não seja errado o uso de produtos sistêmicos ou de profundidade. Entretanto, devemos considerar que estamos usando produtos sistêmicos ou de profundidade numa fase que não são necessários, comprometendo a sua utilização mais tarde (devido ao risco de resistência é aconselhável usá-los 3 a 4 vezes por ciclo vegetativo) e, além disso, são mais caros. Numa fase posterior que vai dos cachos separados ao início da floração, podemos usar qualquer tipo de fungicida, dependendo das condições climáticas: tempo seco e sem míldio visível usar fungicidas de contato; tempo úmido, embora sem a presença de míldio, é aconselhável usar produtos sistêmicos ou penetrantes (de profundidade).

Na fase de floração é aconselhável o uso de produtos sistêmicos ou de profundidade, a não ser que o tempo seja seco e então podemos usar produtos de contato.

A partir do início da formação do grão, entramos num período crítico onde a ocorrência de míldio é muito grande, devido às condições de umidade e temperatura, e este período se estende normalmente até final de Novembro. Neste período devemos seguir tratando com produtos de ação sistêmica ou de profundidade. A partir desta data, final de Novembro, se o tempo for seco podemos tratar com produtos de contato, mas se o tempo for chuvoso é aconselhável utilizar produtos de profundidade. Sempre observando que a partir do grão tamanho de ervilha, como neste estágio a transpiração dos frutos é muito pequena, os produtos sistêmicos terão pouca ação no controle da doença sobre os grãos, embora controle perfeitamente nas folhas.

Dentre os fungicidas recomendados para o controle do Míldio podemos citar:

                - Produtos de contato = dithianon, captan, ciazofamida, clorothalonil, folpet, mancozeb, hidróxido de cobre, oxicloreto de cobre, oxido cuproso, metiran, propineb e sulfato de cobre.

                - Produtos de profundidade = azoxistrobina, zoxamida, cymoxanil, dimetomorfe, famoxadone, fenamidone, fluopicolide, iprovalicarbe e piraclostrobina.

                - Produtos sistêmicos = benalaxil, bentivalicarbe isopropil, metalaxil e fosetil alumínio.

OÍDIO (Uncinula necator (Schw))

                O fungo hiberna sob a forma de micélio nas gemas dormentes (fase assexuada), ou, em cleistotécios nas folhas que caíram sobre o solo no outono passado e, também nos sarmentos, tanto nos que foram eliminados na poda e estão sobre o solo, como os que ficaram na planta (varas e esporões), ou, ainda,  no ritidoma (casca) das cepas (fase sexuada).

                Logo após a abertura das gemas, o fungo é reativado e desenvolve-se sobre o broto novo. Mas, para que isso aconteça é necessário que o dia esteja nublado, com manhãs de elevada umidade relativa (acima de 25%), seguidos de períodos de sol com temperaturas acima de 25ºC.

                A temperatura é o fator limitante para o desenvolvimento do fungo. Temperaturas entre 20 oC e 27oC são ótimas para a ocorrência da infecção e o desenvolvimento da doença, entretanto o desenvolvimento pode ocorrer com temperaturas entre 6 oC e 32 oC. Temperaturas acima de 35 oC inibem a germinação dos conídios. Entretanto, durante um curto período de tempo em que a temperatura do ar ultrapassar os 40 oC as colônias que estão expostas à luz solar e as que sofrem o efeito da alta temperatura são eliminadas rapidamente, mas aquelas colônias que estão sobre as bagas e folhas  no interior da folhagem, onde a temperatura é mais baixa, sobrevivem.

Controle


                Segundo Pereira et al, medidas profiláticas bem aplicadas podem desfavorecer o desenvolvimento da doença. Estas podem ser classificadas pela seguinte ordem:

                - Adotar um sistema de condução que favoreça o arejamento e a insolação dos cachos;

                - Limitar o uso de fertilizantes que influam no sentido de vigor excessivo;

                - Evitar o sombreamento dos cachos, favorável ao desenvolvimento do fungo;

                - Usar material vegetativo sadio;

                - O vigor excessivo cria um  micro clima úmido e favorável à doença;

                - Certas intervenções em verde (desponte) favorecem a disseminação dos conídios: realizá-las após a aplicação de fungicida.

                Quanto ao uso de produtos químicos, o enxofre continua sendo um excelente produto para o controle do Ódio quando usado preventivamente. Devem-se iniciar os tratamentos quando a brotação tem cerca de 20 cm de comprimento e repetir os tratamentos a cada 14 dias.

                Além do enxofre outros produtos tem excelente ação, inclusive alguns como erradicantes, e, nesta lista podemos citar os a base de boscalida, bicarbonato de potássio, cipraconazol, cresomin metílico, difeconazole, melaleuca altimifolia, microbutanil, piraclostrobina, tebuconazole e triflumizol.

BOTRYTIS (Botrytis cinérea (Pers).)

                Hiberna sob a forma de esclerócios (manchas alongadas de coloração negra) nos sarmentos, ou sob a forma de micélio nas fendas da madeira e gemas. Na primavera os esclerócios e os micélios produzem conídios, que são a fonte de inoculo na prefloração, tanto nas folhas como nas inflorescências. Os conídios são disseminados pela chuva e pelo vento e são bem mais numerosos após o início da maturação da uva.

                O fungo se desenvolve melhor na temperatura de 18 ºC a 23 ºC e umidade relativa alta.

Controle


                A Botrytis sendo uma doença muito dependente das condições climáticas e da sensibilidade da variedade, as medidas profiláticas destinadas a limitar a importância dos danos sobre a produção são:

                - Escolher porta enxertos menos vigorosos;

                - Evitar as variedades ou clones muito sensíveis em regiões ou parcelas consideradas favoráveis à doença;

                - Limitar o uso de fertilizantes nitrogenados que causam grande vigor e aumentam a sensibilidade da videira;

                - A taxa da doença é muito mais baixa se o enraizamento profundo permite modular o estresse hídrico;

                - Promover um sistema de poda ou de manejo que permita um bom arejamento da folhagem e dos cachos e evitando lesões nos cachos;

                - Expor os cachos de modo a favorecer a sua precocidade;

                - Assegurar boa proteção dos cachos contra o Oídio e traças.

No controle químico os produtos indicados são:

                               1o tratamento – quando cerca de 2% das flores estiverem abertas. Nesta fase devemos aplicar um produto sistêmico ou de profundidade: Procimidone (sistêmico);  Pyrimethanil (profundidade) e Pyrimethanil + Iprodione (profundidade e contato).



                2o tratamento – 80% das flores abertas. Repetir o tratamento com Procimidone,  Pyrimethanil ou Pyrimethanil + Iprodione.



                3o – Tratamento – Fechamento dos cachos. Nesta fase o sistêmico tem pouca ação. Portanto, aplicar um produto de profundidade. Pyrimethanil ou Pyrimethanil + Iprodione.



                4o – Tratamento – Início da maturação. Desta fase em diante os sistêmicos e os de profundidade não são absorvidos pelos grãos de uva. Por este motivo durante a maturação da uva devemos aplicar produtos de contato.   Iprodione



OBS – todos os tratamentos para prevenção da Botrytis devem ser direcionados aos cachos.

PODRIDÃO DA UVA MADURA (GLOMERELLA) (Glomerella cingulata (Stonemam) Spauld & Schrenk, fase perfeita ou sexual de Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc)

                O fungo sobrevive de um ciclo vegetativo da videira a outro nos frutos mumificados e nos pedicelos que são a fonte de inoculo primário. Durante a primavera ocorrendo chuvas os conídios produzidos pelos micélios sobreviventes causam a infecção primaria. Os conídios causam todas as infecções secundárias durante todas as estações, tão logo a temperatura e umidade tornem-se favoráveis, sendo que a disseminação ocorre pela ação da chuva, vento, animais e insetos.

                A disseminação é feita principalmente pelo vento e por respingos de chuva. A umidade é o principal fator determinante da gravidade da doença. Longos períodos de chuva e de dias encobertos, bem como o orvalho noturno intenso, são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.

                A produção de conídios é abundante durante a primavera, mas decresce no verão. Os frutos são suscetíveis a infecção durante todos os estágios de desenvolvimento desde as bagas recém formadas até a maturação, mas não apresentam nenhum sintoma antes da maturação. O desenvolvimento da doença é favorecido com altas temperaturas (25 a 30 oC) e umidade. A hifa penetra na cutícula da uva e permanece latente até a uva amadurecer, quando então aparecem os sintomas primários. Quando os frutos estão maduros a hifa coloniza o pericarpo inter e intracelularmente e os acérvulos são formados sobre a superfície do fruto. Estudos indicam que o processo da infecção desde a germinação dos conídios, formação de opressório e penetração em bagas em desenvolvimento ocorrem dentro de 48 a 72 horas, entretanto o patógeno permanece em estado latente até a maturação dos frutos.

                O desenvolvimento de epidemias da doença é restringido pela disponibilidade de água livre em todas as fases do ciclo do patógeno. Não somente a esporulação requer alta umidade, mas também a liberação e a dispersão dos esporos é dependente de água livre, no mínimo molhamento por 4 horas, e temperatura entre 20 a 25 oC são condições requeridas para a germinação e a infecção.

Controle

                O controle da doença envolve práticas culturais adequadas combinadas com a aplicação de fungicidas específicos. Dentre as práticas culturais podemos citar a boa circulação de ar; a retirada dos cachos com bagas mumificadas, logo após a colheita; realização da poda verde; posicionamento dos ramos e desfolha são muito importantes porque favorecem a entrada de luz e a circulação do ar ao redor dos cachos, favorecendo a retirada de umidade e a penetração de fungicidas. Utilizar adubação adequada evitando o excesso de nitrogênio, evitar ferimentos nas bagas, proporcionar um bom distanciamento dos cachos, evitar a exposição direta dos cachos ao sol.

                Tratamento com fungicidas específicos devem começar quando as bagas ainda estão verdes e seguir até próximo a colheita. 

                O controle químico deve ser efetuado nos seguintes estágios:

                a) – após a floração, grão limpo – aplicar um fungicida sistêmico (tebuconazole ou tiofanato metílico)

                b) - início da compactação do cacho e início da maturação – devido às características dos compostos sistêmicos de se  translocarem ao longo da rota de transpiração da planta, as folhas são, portanto, o órgão primário de transpiração, e o movimento dentro da planta são no sentido do sistema radicular para as folhas em expansão. Folhas muito jovens, flores e frutos, por não transpirarem quantidades significantes de água, recebem pequena quantidade de fungicida. É de se esperar também que os frutos não recebam resíduos desses produtos. Por este motivo, nestes estágios de desenvolvimento do fruto não é aconselhável o uso de produtos sistêmicos, mas sim de profundidade (Piraclostrobina + metiran).

                c) – a partir do início da maturação  - no início da maturação sobre os grãos de uva forma-se uma grossa camada de cera (pruína) que dificulta a penetração de qualquer substância. Além disso, a partir deste estágio a alimentação dos grãos passa ser via floema. Portanto, a camada de cera vai dificultar a absorção de produtos de profundidade e sistêmicos e a alimentação via floema impede a entrada de produtos sistêmicos, visto estes produtos, na sua grande maioria, circularem via xilema. Os únicos fungicidas que podem agir sobre o fungo neste estágio são os mesostêmicos e os de contato. Como não se conhece fungicidas mesostêmicos com efetiva ação sobre a Glomerella, recomenda-se o uso de produtos de contato (clorothalonil, mancozeb, folpet, folpan, dithianon).



BIBLIOGRAFIA

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WOLF, T.K. - Introduction to late-season fruit rots. Vineyard and Winery Information Series. 2006.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

COMO MAXIMIZAR O PROVEITO DA APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS


                  Devido ao alto custo das aplicações de defensivos que elevam o custo de produção, combustível e mão de obra, bem como o impacto ambiental, é importante obter o máximo de benefícios possíveis na aplicação de defensivos. Há várias coisas a considerar para melhorar a eficácia e a eficiência da pulverização.

                           Segundo Vargas e Gleber (2005), a tecnologia de aplicação não se resume ao ato de aplicar o produto, mas sim na interação entre vários fatores (cultura, praga, doença, planta invasora, produto, equipamento e ambiente) buscando um controle eficiente, com custo baixo e mínima contaminação ambiental. Ainda, segundo estes autores, os principais erros na aplicação de defensivos são:

      a)- Produto utilizado -Uso do produto inadequado; dose incorreta (sub ou superdosagem); momento ou estágio de aplicação incorreto; sobreposição de aplicação.

      b)- Misturas de tanque.

      c)- Equipamento desregulado; escorrimento e gotejamento.

      d)- Aplicação com condições climáticas inadequadas.

    e)- Água usada para mistura do agrotóxico no tanque de má qualidade (excesso de partículas em suspensão, pH incompatível com produtos, entre outros).

ESCOLHA DO PRODUTO DE APLICAÇÃO

                               Verifique diariamente as condições climáticas e a previsão do tempo para os próximos dias. Examine diariamente a cultura para verificar se há presença de doenças. Faça sempre tratamentos preventivos. Mas, se por acaso, ocorrer ataque de doença, aplique fungicidas o mais rápido possível após um período de infecção.

                               Durante os períodos chuvosos, os fungicidas sistêmicos têm melhor desempenho do que os fungicidas protetores ou de contato, pois são menos suscetíveis à lavagem pela chuva (embora, eventualmente, uma parte dos fungicidas sistêmicos também seja lavada pela chuva). Para obter a ação mais curativa (pós-infecção) de um fungicida sistêmico, aplique a maior taxa rotulada, uma vez que a atividade depende da concentração. O mesmo vale para a ação preventiva; geralmente, uma taxa mais alta (dentro da quantidade indicada) normalmente prolonga o período residual. Você pode precisar reaplicar fungicidas protetores após 15 a 20 mm de chuva. Os fungicidas sistêmicos estão protegidos da lavagem.

Adicione um adjuvante (surfactante, adesivo, penetrante), se recomendado no rótulo -  Alguns adjuvantes têm bloqueadores de luz ultravioleta (UV) que retardam a degradação dos pesticidas pelos raios UV. No entanto, muitos fungicidas modernos são formulados de tal maneira que os adjuvantes não são necessários. De fato, alguns rótulos de fungicidas proíbem o uso de adjuvantes devido ao aumento do potencial de fitotoxicidade. Em alguns casos, os adjuvantes têm um efeito supressor de doenças porque são prejudiciais aos patógenos; por exemplo os surfactantes fazem explodir os zoósporos de míldio.

Aplique fungicidas de proteção (contato) durante condições de sol e seco para permitir a secagem rápida das folhas -  De fato, parece que os fungicidas protetores se tornam melhor adsorvidos à superfície da planta e mais resistentes à chuva ao longo de vários dias após a aplicação. Qualquer formação de orvalho durante a noite ajudará a redistribuir o produto sobre a superfície da planta. Embora seja melhor ter aplicações de fungicidas protetores antes de uma chuva ou evento de orvalho pesado que poderia representar um período de infecção, evite aplicar fungicidas de proteção dentro de algumas horas antes de uma tempestade, pois você pode perder muito pela lavagem.

Aplique fungicidas sistêmicos sob condições úmidas e nebulosas quando o solo estiver úmido -  Dessa forma, a cutícula, ou a camada de cera que cobre a superfície da planta, será inchada e permitirá que os ingredientes ativos passem rapidamente. Sob condições prolongadas de calor e seca, a cutícula fica achatada e menos permeável; qualquer produto que não seja absorvido pode permanecer na superfície da planta e degradar devido à luz UV ou micróbios ou ser lavado pela chuva.

Se você não está tendo o controle que costumava obter com um produto em particular, considere a possibilidade de resistência a fungicidas - Isso poderia ser um problema com patógenos que têm alto potencial reprodutivo (oídio, míldio e ferrugem) que foram expostos a repetidas pulverizações de fungicidas sistêmicos, como as estrobilurinas (Azoxistrobina, Piraclostrobina, Cresomin-methyl, etc.), inibidores de esterol (Bitertanol, Propiconazole, Triadimefon, Triforine), benzimidazoles (Benomil, Carbendazin, Tiofanato metílico, Thiabendazole), fenilamidas (Ridomil) e dicarboximides (Iprodione). No entanto, você deve primeiro descartar o mau tempo e a cobertura de pulverização como possíveis causas do baixo desempenho do fungicida. As formas de reduzir o risco de resistência a fungicidas incluem fungicidas alternados ou misturas de tanque com diferentes modos de ação e evitando a pulverização de fungicidas sistêmicos com taxas abaixo do indicado no rótulo. Além disso, tente evitar a aplicação de fungicidas sistêmicos em colônias altamente esporuladas, à medida que aumenta a probabilidade de seleção de mutantes com densidades populacionais mais elevadas de patógenos. Neste caso, é preferível utilizar um fungicida de contato apropriado para matar os esporos.

Não aplique fungicidas sistêmicos em folhas mortas ou parcialmente mortas -  isto também se aplica às folhas nas quais as nervuras foram mortas. Produtos sistêmicos não podem se mover em tecidos mortos ou através das nervuras mortas e, portanto, não serão bem distribuídos na planta (folhas senescentes, folhas danificadas).

Para melhorar a cobertura de fungicidas na zona dos frutos, será útil a retirada oportuna de folhas e a remoção de rebentos na zona de frutos -  Além disso, o posicionamento da parte aérea ajudará a abrir a copa e melhorará a cobertura de fungicida, bem como a penetração da luz solar, o que ajudará a suprimir o desenvolvimento de fungos. No geral, podar e conduzir as videiras para ter um dossel mais exposto e aberto ajudará no controle da doença.

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS


                      As condições ambientais no momento da aplicação são fundamentais, principalmente para garantir que o defensivo seja depositado no alvo desejado.

Umidade relativa do ar - A condição climática mais importante para o sucesso ou fracasso na deposição das gotas é a umidade relativa do ar, principalmente, quando trabalhamos com formulações diluídas em água. É através da maior ou menor porcentagem de umidade no ar, que a velocidade de evaporação de uma gota aquosa é reduzida ou aumentada, respectivamente, ou permitindo que se reduzam ou não os volumes de aplicação e influindo diretamente no rendimento operacional do equipamento.

                         Quanto mais baixa for à umidade do ar, mais rapidamente as gotas evaporam e com elas o produto químico aplicado. Gotas pequenas com menos de 100 micras que podem compor até 30% do volume total, dependendo do bico e da pressão utilizada, dificilmente atingirão o alvo. Por isso não são recomendadas aplicações de defensivos agrícolas quando a umidade do ar for próxima ou inferior a 50%.

VentoEvidentemente que, com ventos fortes, principalmente superiores a 10 km/hora, a qualidade da aplicação também fica prejudicada em função do excessivo carregamento lateral que as gotas vão sofrer, resultando no que é designado como deriva. Em consequência, pode-se não atingir o alvo em dose suficiente.

                              Pulverizar fungicidas quando há uma leve brisa, como 2 a 6 km/h no nível do bico, é realmente melhor do que a pulverização durante condições tranquilas -  porque mesmo sem vento pode haver correntes de ar causadas pelo movimento do equipamento de pulverização que carrega o fungicida fora do alvo. Um pouco de vento ajudará a deposição; você saberá para onde o produto está indo e poderá ajustar sua configuração de pulverização de acordo com a situação. Se as condições não forem boas para a pulverização, é melhor esperar um dia extra para melhores condições do que perder a maior parte do produto.

               Outra consideração importante do momento é a hora do dia, particularmente no que se refere às relações de temperatura e umidade. Tanto a temperatura quanto a umidade podem afetar a deriva dos fungicidas. Quanto maior a temperatura e menor a umidade relativa, maior a oportunidade de evaporação ou volatilização do fungicida. Isso pode ser evitado pela pulverização no início da manhã, quando as temperaturas são mais baixas e a umidade relativa é maior. Além do risco reduzido de deriva da volatilização de fungicidas no início da manhã, a deriva também pode ser minimizada nas horas da manhã devido a ventos mais calmos e menor turbulência convectiva do ar.

Temperatura - O início da manhã, o final da tarde e à noite são períodos onde a umidade relativa é maior e a temperatura é menor, sendo considerados mais adequados para as aplicações. Do ponto de vista prático, é possível e recomendável a utilização de gotas finas nestes horários. Porém, é necessário um monitoramento das condições ambientais com o passar das horas do dia, pois no caso de haver um aumento considerável da temperatura (com redução da umidade relativa), o padrão de gotas precisa ser mudado (passando-se a usar gotas maiores). Neste caso, o volume de aplicação deve ser aumentado, para não haver efeito negativo na cobertura dos alvos.

LuzA luminosidade necessita estar presente no momento da aplicação ou algumas horas após, principalmente para os herbicidas. Normalmente, aplicações realizadas com esses produtos, em dias sombrios ou à noite, as quais se segue uma chuva, são de baixa eficiência. Dessa forma, aplicações sem luminosidade adequada só seriam recomendadas na certeza da ocorrência da mesma nas próximas horas.

Chuva e orvalho - Chuva e orvalho são fatores climáticos que também requerem atenção no momento do planejamento das aplicações. No caso da chuva, recomenda-se bastante cuidado na observação do intervalo mínimo de tempo entre a aplicação e a ocorrência da chuva, visando permitir o tempo mínimo para a ação dos produtos. No caso do orvalho, a presença de água nas folhas quando das aplicações noturnas (madrugada) e/ou no início da manhã pode causar interferência na técnica de aplicação. Neste caso, problemas podem ocorrer tanto pela diluição do produto como por um eventual escorrimento, em virtude do excesso de água e da ação do espalhante contido na calda. Entretanto, existem situações, dependendo da técnica empregada e do tipo de defensivo utilizado, em que a ação do orvalho pode até ser benéfica. A aplicação noturna deve considerar, ainda, a existência de limitações técnicas relativas aos próprios defensivos, no que se refere às questões de eficiência e velocidade de absorção nas situações de ausência de luz ou baixas temperaturas.

Bibliografia

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sexta-feira, 5 de abril de 2019

PODRIDÃO ÁCIDA DA UVA


               Nos últimos anos verificou-se maior incidência da podridão ácida na uva e isto deve estar associado à mudança climática, onde há maior ocorrência de chuvas no período da maturação da uva.

                A podridão ácida é uma doença atípica, visto que os agentes causadores não são considerados patogênicos primários e não existe um agente etiológico específico. Esta doença se desenvolve sempre após o início da maturação, e está associada simultaneamente a condições fisiológicas favoráveis, determinadas pelo clima e pelas práticas culturais e devido às características de sensibilidade da variedade. Pois os agentes causadores desta doença são diversos fungos como Aspergillus niger, Alternaria tenuis, Cladosporium herbareum, Rhizopus arrhizus, Penicillium spp entre outros;  bactérias, como a Acetobacter e leveduras.

                Guerzoni e Marchetti (1987) verificaram que as populações de leveduras presentes em uvas afetadas por podridão ácida diferem da flora que coloniza a superfície das uvas sadias quer em quantidade ou na variedade de espécies.

                Trabalhos desenvolvidos por Barata et al., (2009), afirmam que o desenvolvimento da podridão ácida na uva é dependente da presença da mosca Drosophila sp. Afirmam também que a Drosophila sp. induz o aumento da população bacteriana das uvas danificadas pela podridão ácida.

                De acordo com vários autores para o desenvolvimento da podridão ácida é necessário à ocorrência de condições favoráveis como:

                - Existência de feridas na película das bagas devido à ação de agentes bióticos: o estado fitossanitário da videira reveste-se de grande importância, uma vez que outros inimigos da cultura, como os agentes do míldio, do oídio, as traças da uva, cochonilhas, vespas, pássaros, etc., podem danificar seriamente a casca das bagas.

                - Utilização de variedades cuja uva tem casca fina, ou cachos muito compactos e com bagas grandes. Neste caso verifica-se o aparecimento de microfissuras, que constituem locais privilegiados para a instalação da flora microbiana. Além disso, a sensibilidade aumenta com a maturação.

                - Presença de vetores no vinhedo, como os insetos, principalmente a Drosophila, efetuam posturas nas lesões existentes nas bagas, sendo vetores de leveduras, bactérias, nematoides e fungos.

                - Acontecimentos climáticos, como a ocorrência de períodos chuvosos no período da maturação, após um período de seca, provoca um aumento repentino do tamanho das bagas, com a consequente rachadura da casca, o granizo bem como, temperaturas e umidade elevada próximo da maturação e especialmente durante a noite, são favoráveis ao desenvolvimento da doença.

                - Práticas culturais que favoreçam o aumento do vigor das videiras, provocando um aumento da densidade da folhagem, o sistema de condução utilizado, a fertilização, o porta-enxerto, enfim,  práticas que permitam aumentar teores de umidade relativa no interior da videira devem ser evitadas.

                A podridão ácida manifesta-se após o início da maturação, em particular na fase avançada da maturação, onde ocorre o aumento do teor de açúcar favorecendo o desenvolvimento desta doença. O ataque inicia-se na proximidade da zona de inserção peduncular ou ao nível das feridas existentes nas bagas, principalmente devido a bicadas de pássaros, ação de insetos, agentes patogênicos, granizo e micro/macro fissuras resultantes das variações do tamanho das bagas, associados à alternância de períodos de estresse hídrico com outros de abundância de água. Esta doença é responsável por alterações típicas e facilmente reconhecidas, caracterizadas pela coloração castanha e desagregação da polpa.

                Após o inicio da infecção a podridão ácida alastra-se rapidamente à totalidade da baga, fazendo com que a casca se torne frágil até a ocorrência da ruptura da baga. Como consequência, ocorre escorrimento de suco. Esta situação favorece as contaminações secundárias por escorrimento ou por contato entre bagas podres e bagas sadias, sobretudo nos cachos compactos. Por último, as bagas ficam ocas/secas em relação ao seu conteúdo visto que este é utilizado na sua totalidade devido à completa fermentação e desintegração da polpa restando apenas à casca seca e mumificada. Outra característica da podridão ácida é o odor a ácido acético ou vinagre, por vezes bastaste forte, que emana dos cachos e das videiras parcialmente atacadas.

                Quando a podridão ácida ainda está na fase inicial, é difícil de diagnosticar os sintomas podendo ser confundidos com outras doenças, principalmente com Botrytis. A partir da mudança de cor, este fungo, a Botrytis, desenvolve coloração castanha nas bagas, adquirindo coloração cinza escura, no entanto, a alteração das bagas limita-se aos tecidos situados imediatamente abaixo da casca, não se verificando a desintegração total da polpa como acontece na podridão ácida.

MEIOS DE PROTEÇÃO

                   Os meios de proteção devem contemplar medidas que evitem tudo o que possa causar feridas nas bagas, recorrendo a todos os meios que possibilitem uma redução do vigor da vegetação e evitem uma folhagem muito densa, de forma a reduzir a umidade ao nível dos cachos. Deste modo, torna-se importante uma boa proteção fitossanitária relativa a inimigos que possam danificar a casca das bagas, sobretudo a partir da mudança de cor, como seja o míldio, o oídio e a traça da uva. É importante também ter cuidado com as fertilizações nitrogenadas e a condução e poda das videiras (efetuando inclusive podas em verde que favoreçam uma boa ventilação da zona dos cachos) com a escolha dos porta-enxertos (não muito vigoroso, devem estar adaptados ao solo e apresentar sistemas radiculares profundos) e das variedades (evitando, se possível, as mais sensíveis), de forma a evitar aglomeração de cachos e folhagem, conseguindo cachos de tamanho médio. A manutenção de cobertura vegetal sobre o solo também poderá contribuir para a limitação da doença, através da redução do vigor da videira.

                A aplicação de meios de proteção química contra a podridão ácida é muito limitada. Segundo Laurent (1998), nenhum dos fungicidas existentes para combater a podridão cinzenta tem qualquer ação sobre os agentes da podridão ácida, embora Paños (1998) refira que as dicarboximidas (Captan, Orthocide, Sumilex, Sialex) permitam ligeiras diminuições da doença. Segundo Bisiach et al. (1986), a atividade destes fungicidas (ineficazes contra leveduras e bactérias) na redução da podridão ácida, resulta na eliminação da Botrytis cinérea, que causa feridas nas bagas. O mesmo papel é desempenhado pelos fungicidas antimíldio e anti-oídio, relativamente, à redução das feridas causadas por estas doenças. Para, além disso, não existem substâncias ativas eficazes que se possam usar contra os agentes da podridão ácida (bactérias e leveduras). Bisiach et al. (1986), referem que os fungicidas do grupo das ftalimidas (Folpet, Folpan) apresentam uma grande toxicidade as leveduras, permitindo uma boa redução da podridão ácida, mesmo em baixas concentrações, no entanto, a sua utilização depende dos resíduos que deixa no mosto, que é bastante elevada.

                Hall et al (2017) num experimento que associaram a aplicação de inseticida (zeta-cipermetrina) e antimicóticos (peróxido de hidrogênio e metabissulfito de potássio a 0,5 a 1,0%) obtiveram bons resultados. Quando aplicaram somente o inseticida verificaram que as parcelas tratadas tinham cerca de 40% menos podridão do que as não tratadas e quando associaram o inseticida com um antimicótico, o resultado foi que as parcelas tratadas tinham cerca de 70 a 80% menos podridão do que as não tratadas. Estes tratamentos foram iniciados quando a uva continha 15 ºBrix.



BIBLIOGRAFIA

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