quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

VITICULTURA - Operações pós-colheita


OPERAÇÕES PÓS-COLHEITA DA UVA

 

                Com a colheita da uva não significa que o viticultor esteja em férias, existem cuidados que devem ser tomados na pós-colheita e que são muito importantes na vida da planta e no desenvolvimento da vegetação no ciclo vegetativo seguinte. Entre estes cuidados podemos citar; tratamentos fitossanitários, adubação, semeadura de cobertura verde e, se necessário, coleta de amostra de solo para análise.

                A videira, como as outras plantas, tem a capacidade de manufaturar seu próprio alimento através do aproveitamento da energia solar que a converte em energia química. A intensidade com que este aproveitamento da energia solar ocorre (fotossíntese) depende da temperatura, umidade atmosférica, disponibilidade hídrica do solo, intensidade luminosa e da fertilidade do solo. Os produtos oriundos da fotossíntese são normalmente chamados de fotoassimilados (açucares e outros carboidratos), que é o alimento energético utilizado pela planta para o seu desenvolvimento e para manter as funções vitais. O aproveitamento destes fotoassimilados, em menor ou maior quantidade, varia conforme a estação do ano, dependendo da produção de fotoassimilados e da demanda de cada parte da planta. A maioria dos produtos elaborados são inicialmente enviados as partes em crescimento, como os ramos, frutos e raízes. Durante a maturação da uva a preferência é para atender os frutos e somente o excesso é que vai para a reserva. Após a colheita todos os fotoassimilados são direcionados as raízes e tronco para formar a reserva de carboidratos. Esta reserva de carboidratos, nas raízes e tronco, serve para prover de energia a nova brotação no ano seguinte. Por este motivo é muito importante manter as folhas sadias após a colheita até a senescencia das mesmas para que elaborem fotoassimilados a fim de abastecer os órgãos permanentes (raízes, tronco) com carboidratos e isto conseguiremos se continuarmos tratando a folhagem a fim de evitar a entrada de doenças e assim mantê-las na planta o maior tempo possível.

                A disponibilidade de carboidratos, como fonte de reserva, no inicio do ciclo vegetativo é muito importante porque a videira, diferentemente das outras árvores frutíferas, apresenta diferença entre o inicio do crescimento dos brotos e das raízes. Normalmente as raízes iniciam o crescimento após o aparecimento dos brotos, isto porque a temperatura do solo geralmente limita tanto a expansão do sistema radicular como a sua proliferação, principalmente no inicio da temporada de crescimento, e a videira depende então destes carboidratos para as suas funções vitais.

                A demanda por nutrientes no inicio do ciclo vegetativo não pode ser atendida pelas novas raízes e a planta vale-se então das reservas existentes. Estudos indicam que nas primeiras semanas de desenvolvimento da vegetação cerca de 50% do nitrogênio e do fósforo, 15% do potássio e 5% do cálcio e do magnésio são provenientes das reservas.

Conradie (1980 e 1981) determinou a absorção de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio em cada fase do ciclo vegetativo.

Elemento
Brotação a floração (%)
Floração
(%)
Final da floração ao inicio da maturação (%)
Inicio da maturação a colheita
(%)
Pós- colheita
(%)
Nitrogênio
14
14
38
-
34
Fósforo
16
16
40
-
28
Potássio
15
11
50
9
15
Cálcio
10
14
46
8
22
Magnésio
10
12
43
13
22

               

Isto demonstra a importância da adubação pós-colheita, pois os nutrientes absorvidos após a colheita, não migram para as folhas, mas para os órgãos permanentes e servirá para suprir a necessidade inicial quando as raízes absorvem menos nutrientes do que a planta necessita.

                A manutenção e/ou instalação de cobertura verde no solo (adubação verde) desempenha papel importante na conservação do solo e na fertilidade do solo, por melhorar o controle da erosão, manter a fertilidade, aumentar a porosidade devido à penetração das raízes e sua decomposição, aumentar o teor de matéria orgânica, melhorar a atividade biológica, além da possibilidade de diminuir o uso de herbicidas. Várias espécies podem ser utilizadas para este fim, como aveia preta, ervilhaca, nabo forrageiro, azevém e a manutenção da própria vegetação espontânea.

sábado, 15 de dezembro de 2012

PRODUTIVIDADE DA VIDEIRA


PRODUTIVIDADE DA VIDEIRA


 
 
                   A carga de uva que uma planta pode maturar com máxima qualidade está relacionada com a superfície foliar efetivamente iluminada. Isto significa que a qualidade da composição da uva depende mais do equilíbrio entre as folhas e a carga de uva do que o nível absoluto da carga por cepa, pois cada vinhedo possui seu próprio modelo de variação da qualidade em função do rendimento. Este modelo ou curva de comportamento dependerá da interação entre os diferentes fatores que o regula, como clima, solo, área foliar total da videira e da percentagem desta área exposta totalmente à luz solar. Conhecer este comportamento é fundamental para otimizar o manejo, pois existe uma qualidade máxima possível que corresponde a uma produtividade ótima, segundo um modelo que está determinado pelo equilíbrio vegetativo / produtividade das cepas e as características agro climáticas do vinhedo.

                Portanto, o conceito que alta produtividade reduz a qualidade da fruta deve-se em parte ao efeito que a “sobrecarga” causa atrasando a acumulação de açúcar na fruta quando comparado com aquelas plantas com menos carga. Sem dúvida, existem antecedentes que indicam que o nível de carga por planta não afeta a acumulação de açúcar e a qualidade da fruta, desde que seja observado o nível de carga específico que uma planta pode amadurecer antes que um rendimento maior atrase a maturação e afete a qualidade. É claro que a produtividade de um vinhedo influi na qualidade da uva e do vinho, porém frequentemente caímos no erro de analisar a relação entre estes dois parâmetros como se tratasse de uma simples equação matemática própria das ciências exatas quando, na realidade, trata-se de um complexo processo biológico. Como sabemos, os processos biológicos são governados ou regulados por numerosos fatores que interagem entre si.

                A produção é determinada pela quantidade de carboidratos (açucares) fornecidos ao fruto e a outros órgãos da planta. Existe um clássico conceito que relaciona a interferência entre a quantidade e a qualidade, onde quando um aumenta diminui linearmente o outro. Alem disso, muitos viticultores acreditam que se a videira passar por um estresse produzirá uva de melhor qualidade.  Entretanto, a realidade não é simples assim. O conceito cientifico é que existe uma relação entre a quantidade e a qualidade formada por uma curva ascendente onde as duas aumentam até alcançar um patamar e após sim, a qualidade diminui se aumentar a quantidade. Este patamar é o ponto que todo o viticultor deve buscar para ter qualidade.

                A qualidade da uva para vinho baixa quando se supera a capacidade fotossintética da planta e piora o seu micro clima. Num lugar de grande radiação e amplitude térmica diária a mesma qualidade se pode obter com um rendimento maior manejando o micro clima e as adversidades em momentos específicos.

                Para a qualidade da uva deve-se manipular a relação folhas / fruto (poda, raleio de cachos, desbrote, posição dos sarmentos), nutrição adequada, como também a densidade da folhagem e o comprimento dos sarmentos, para criar um micro clima (luz e temperatura) também adequado ao desenvolvimento e a maturação das bagas e se deve submeter o cacho a aflição para fomentar a síntese e a concentração de fenóis. Um fator importante na qualidade da vindima é a uniformidade de maturação dos cachos. Isto é mais importante que a maturação média proveniente de brotações desuniformes, que contém diferente relação folhas / frutos. A relação folhas / frutos obtem-se via raleio de cachos.

                O raleio de cachos tem época adequada de ser realizada por que:

                - Raleio muito cedo – no caso de um raleio precoce, o vigor das videiras é favorecido, favorecendo o engrossamento das bagas restantes, o crescimento dos brotos e o aumento da fertilidade das gemas latentes. E assim, o potencial da produção do ano seguinte será aumentado, gerando o risco de uma super produção, o que obriga a ralear novamente.

                - Raleio próximo ao inicio da maturação – poderíamos generalizar dizendo que para variedades de vinificação o raleio poderia ser realizado a partir do momento que as uvas possuem o tamanho de um grão de ervilha relativamente grande. Porque neste momento, o processo de divisão celular das bagas está concluído e não ocorrerá grande crescimento delas pela diminuição da concorrência. Alem disso, o efeito na redução da produtividade será menor e maior será a modificação das características do fruto.

                - Durante ou depois do inicio da maturação – realizado nesta época, não estaremos aproveitando o pico da síntese da cor e de outros compostos que ocorrem neste momento. Parte da cor estaria sendo jogada ao solo com os cachos eliminados; alem disso, as perdas de rendimento serão maiores, ocorre antecipação da data da colheita e os efeitos sobre a qualidade são poucos. Quanto mais tarde se realiza menor será a compensação ou recuperação do peso da fruta e o efeito sobre sua qualidade.

                O raleio de frutos deve ser feito após o fechamento do cacho e logo antes do inicio da maturação, com o objetivo de melhorar a qualidade de vinificação e não aumentar o tamanho da uva. Se 8 a 12 cm2 de folhas são suficientes para o pleno desenvolvimento de um grama de uva (dependendo de cada variedade)  e, então, um broto para dois bons cachos é aquele que tem 18 a 20 folhas bem desenvolvidas, ou o comprimento de 1,00 a 1,40 m. Antes do inicio da maturação, se deixa dois cachos nos brotos com 15 a 20 folhas, um cacho naqueles com 8 a 12 folhas (50 a 90 cm) e nenhum nos que tem menos folhas (menores de 50 cm).

                Resulta evidente que é preciso integrar bons procedimentos de gestão da folhagem dentro do ciclo de crescimento, adaptando-os aos requisitos fisiológicos da videira. Sua estrutura física, o micro clima e a fisiologia da planta afetam de forma global o seu rendimento e a sua gestão. O desenvolvimento da folhagem tem um papel físico e fisiológico (também através do micro clima) sobre o potencial que tem a planta de produzir uva de grande qualidade.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


DESFOLHA

 
 

                A eliminação de folhas pode ser conveniente em certos casos e situações ou negativa em outras. Como norma, sempre que exista sombra na copa que prejudique a qualidade da uva e a fertilidade das gemas, a desfolha é conveniente, por favorecer o balanço fotossintético e por proporcionar um micro clima adequado para a maturação dos cachos. A sombra no interior da copa tem vários efeitos negativos que convém controlar, tais como baixas concentrações de açucares, antocianinas, fenóis e ácido tartárico; aumento de pH e do nível de potássio; e diminuição da qualidade sensorial do vinho.

                Embora esta prática seja para atingir certos objetivos, normalmente é empregada em copas muito densas desde o fechamento do cacho até o inicio da maturação para lograr uma melhor exposição à luz solar e uma melhor aeração ao redor dos cachos, o que supõem benefícios substanciais em termos de pigmentação e resistência às podridões, além de melhorar a penetração e a cobertura dos tratamentos fitossanitários sobre os frutos. A desfolha não garante necessariamente uma melhor composição da uva. Uma desfolha excessiva que sobre exponha os cachos à luz solar pode dar lugar a uma pigmentação deficiente nas bagas de variedades tintas. A excessiva exposição à luz solar pode causar perdas tanto na produtividade, como na qualidade. Perdas na produtividade ocorrem quando os frutos são danificados pelo calor e chegam a murchar. Este dano geralmente ocorre após inicio da maturação quando as uvas tem pigmentos (principalmente nas tintas) e absorvem maior quantidade de energia solar. Entretanto, podem ocorrer danos também antes do inicio da maturação, quando as bagas são totalmente ressecadas. Ou então podem permanecer intactas, mas os sintomas aparecerão quando amadurecem, pela maturação incompleta. Quanto à interferência na qualidade do vinho depende de variedade para variedade.

                É comum a realização da desfolha no terço ou quarto basal dos brotos logo antes do inicio da maturação para expor os cachos à luz direta e ao vento. Com isto perseguem melhorar a cor e a concentração de fenóis de variedades tintas, manter um ambiente seco e livre de enfermidades fungicas e amadurecer melhor o cacho pela elevação da temperatura e a exposição à luz ultravioleta (mais açucares e fenóis maduros e menos ácido málico). Esta prática tem sua origem e maior difusão nas zonas frescas e chuvosas, onde produz efeitos benéficos e é uma necessidade. Entretanto, em regiões mais quentes, onde a elevação da temperatura da uva pode ser exagerada, produz efeito adverso na cor, outros flavonóides, resveratrol e aromas, pela queimadura da casca, e na diminuição do conteúdo de nitrogênio, que torna a fermentação do mosto mais lenta. Nessas condições a desfolha, que é necessária, deve ser mais suave. Portanto, práticas que aumentem a exposição dos cachos à luz solar (como remoção de folhas) depende de vinhedo a vinhedo, isto é; temos que analisar os efeitos desta exposição nos cachos e a qualidade do vinho obtido, pois quando a folhagem da videira recebe iluminação adequada, não haverá benefícios com esta prática, ao contrário, poderá haver prejuízo. Devemos considerar que, enquanto a temperatura das folhas não apresenta diferença entre as expostas a luz solar e as que se encontram no interior da copa, devido à regulação térmica produzida pelo processo da transpiração, o mesmo não ocorre com os cachos, já que os expostos apresentam maior temperatura que os localizados em ambiente sombrio, principalmente nas uvas tintas. A situação ideal é manter uma boa exposição dos mesmos, porém com certa proteção foliar; a qual pode ser de maior ou menor grau, segundo o clima e as variedades que se cultivam.

                A atividade fotossintética das folhas dispostas ao longo do sarmento e o transporte de compostos assimilados podem aumentar se melhorar as condições microclimáticas da folhagem e diminuir a proporção entre a fonte e o receptor, graças à gestão da folhagem. No obstante, sempre devemos manipular a planta de modo a deixarmos suficiente superfície foliar para permitir o correto desenvolvimento da uva e a entrada da luz solar no interior da folhagem, porem interceptando ao mesmo tempo o excesso de radiação sem perder energia utilizável.

domingo, 21 de outubro de 2012

O MÍLDIO DA VIDEIRA


MILDIO (Peronóspora, Mufa ou Mofo)

                              

                               O Míldio da videira é causado pelo fungo Plasmopora vitícola (Berk & Curt).

                No outono as folhas caem e aquelas atacadas pelo Míldio durante o ciclo vegetativo conservam no seu interior as unidades de reprodução (oósporos) do Míldio, embora estas folhas se decomponham estas unidades de reprodução continuam no material em decomposição. Além disso, pode passar o inverno na forma de micélio dormente sobre os sarmentos que foram atacados durante o ciclo vegetativo. Na primavera quando a temperatura ultrapassar os 10 oC e chover no mínimo 10 mm ocorre à germinação. Os esporos (zoósporos) formados na germinação são espalhados pelos pingos da chuva e transportados pelo vento. Ao caírem sobre a folha, por possuirem cílios que se movimentam, encistam-se no estômato da folha e penetram, instalando-se no espaço interno (câmara estomática), daí o micélio que se forma expande-se através do espaço intercelular colonizando o tecido do hospedeiro. Sob condições favoráveis de temperatura e umidade o tempo decorrido entre a penetração e a germinação é de 90 minutos. Cerca de 4 dias após a infecção, dependendo da idade da folha, da cultivar, da temperatura e da umidade, aparecem os primeiros sintomas do ataque, as manchas amarelas sobre a folha (manchas de óleo).
Mancha de óleo  (Foto Antonio Santin)

                Dentro de um a três dias após o aparecimento da mancha de óleo surge a mancha de conídios (mancha branca) na parte inferior da folha, correspondente a mancha amarelada. Mas para que isto ocorra é necessário que a temperatura mínima esteja  acima de 13 oC e umidade relativa acima de 80%, a partir disto poderão ocorrer às infecções secundárias.
Mancha de conídio (Foto Antonio Santin)


                Nestas manchas de míldio formam-se os esporângios que irão produzir os zoósporos para causar a infecção secundária, isto ocorrerá se a umidade relativa do ar estiver acima de 95%, pelo menos por quatro horas, temperatura acima de 13 oC e ausência de luz. Após o inicio da esporulação, o processo é contínuo, desde que a temperatura esteja acima de 11 oC. Os zoósporos são dispersos pela chuva e/ou vento e são transportados para causarem novas infecções.

                 Todos os fatores que contribuem para aumentar o teor de água no solo, ar e planta favorecem o desenvolvimento do Míldio. Dificilmente ocorre infecção se a umidade do ar for inferior a 75%, porém, ela será grande quando o período de água livre (chuva, orvalho ou neblina) for maior de três horas e sob condições de céu encoberto e encontram as melhores condições para o seu desenvolvimento com temperatura entre 23 a 25 oC.

                   O fungo incide sobre todos os órgãos verdes da planta, preferencialmente naqueles mais tenros, desenvolvendo um micélio que neles penetra para absorver a seiva.

SINTOMAS

FOLHAS – os primeiros sintomas podem aparecer quando as folhas são ainda muito pequenas (no momento que são formados os estômatos), cerca de 3 cm de largura, pois neste estágio tem a máxima sensibilidade e à medida que vão envelhecendo decresce esta sensibilidade. Inicialmente aparecem manchas amareladas na superfície superior da folha (mancha de óleo) e na pagina inferior, correspondente à mancha de óleo, em condições de alta umidade aparece uma mancha branca constituída pela frutificação do fungo. Mais tarde elas tomam a coloração pardo-avermelhada podendo confluir uma macha com a outra e abranger grande parte do limbo folhar.   As folhas que apresentam muitas manchas em ótimo desenvolvimento caem prematuramente privando a planta de seu órgão de nutrição, interrompendo o desenvolvimento dos cachos e sarmentos, depauperando a planta e prejudicando a produção do ano seguinte.

                 O efeito negativo ao ataque foliar é devido à perda do principal órgão de assimilação da planta com repercussão negativa direta seja na produção quantitativa e qualitativa, ou seja, na maturação dos sarmentos e das gemas, potenciais produtivos do ano seguinte.
Foto Antonio Santin

BROTOS – Os brotos e sarmentos são normalmente infectados nos estádios iniciais de crescimento, ou em suas extremidades, antes da lignificação. Os ramos doentes apresentam coloração marrom-escura, com aspecto de “escaldado”. Os nós são mais sensíveis do que os entrenós. Infecções em ramos novos causam o secamento dos mesmos. Este dano será observado durante a poda de inverno.
                                       Sintomas no nó do ramo tenro (Foto Antonio Santin)

Sintomas no nó do ramo verde (Foto Antonio Santin)
                             Sintomas no ramo maduro (Foto Antonio Santin)

CACHOS E UVA – o ataque do míldio sobre a inflorescência (antes da floração) ou no cacho recém formado (logo após a floração) causa perda elevada de produção. Quando ocorre sobre a inflorescência a danifica deixando-a em forma de gancho. Na floração, o patógeno provoca o escurecimento e destruição das flores afetadas, sintomas muito semelhantes aos ocasionados pela antracnose. Nos estádios da pré-floração e em bagas pequenas, o fungo penetra pelos estômatos, causando escurecimento e secamento destes órgãos, observando- se uma eflorescência branca que é a frutificação do fungo.

                Se o ataque acontecer mais tarde (bagoinhas), causa a podridão cinzenta. As bagas tomam uma coloração verde azulada, paralisa seu crescimento, endurecem, cobrem-se de eflorescência branca, secam e caem.

Quando as bagas atingem mais da metade do seu desenvolvimento o ataque do fungo pode ocorrer pelo pedicelo e posteriormente colonizá-la. As bagas infectadas nessa fase apresentam uma coloração pardo-escura, e é facilmente destacável do cacho, não havendo formação de eflorescência branca característica. Os ataques na inflorescência e nos cachos são os mais danosos, pois atingem diretamente o produto final podendo comprometer totalmente a produção.

Foto Antonio Santin

CONTROLE

             No inicio do ciclo vegetativo da videira quando a área foliar ainda é pequena, a temperatura não está dentro da faixa ótima para o desenvolvimento do míldio e a quantidade de inoculo é pequena, embora ocorram chuvas, os estragos que podem ser causados pelas infecções primárias são insignificantes. Nesta fase correspondem aos primeiros tratamentos, entre 2 a 3 folhas visíveis e os cachos visíveis, as intervenções podem ser feitas com produtos de contato, mesmo com tempo chuvoso. Embora não seja errado o uso de produtos sistêmicos ou de profundidade. Entretanto, devemos considerar que estamos usando produtos sistêmicos ou de profundidade numa fase que não são necessários, comprometendo a sua utilização mais tarde (devido o risco de resistência é aconselhável usá-los 3 a 4 vezes por ciclo vegetativo) e, além disso, são mais caros. Numa fase posterior que vai dos cachos separados ao inicio da floração, podemos usar qualquer tipo de fungicida, dependendo das condições climáticas: tempo seco e sem míldio visível usar fungicidas de contato; tempo úmido, embora sem a presença de míldio, é aconselhável usar produtos sistêmicos ou penetrantes.

                Na fase de floração é aconselhável o uso de produtos sistêmicos ou de profundidade, a não ser que o tempo seja seco e então podemos usar produtos de contato.

                A partir do inicio da formação do grão, que geralmente coincide com o final de Outubro, entramos num período critico onde a ocorrência de míldio poderá ser muito grande, devido às condições de umidade e temperatura, e este período se estende normalmente até final de Novembro. Neste período devemos seguir tratando com produtos de ação sistêmica ou de profundidade. A partir desta data, final de Novembro, se o tempo for seco podemos tratar com produtos de contato, mas se o tempo for chuvoso é aconselhável utilizar produtos sistêmicos ou de profundidade. Sempre observando que a partir do grão tamanho de ervilha, como neste estágio a transpiração deste órgão é muito pequena, os produtos sistêmicos terão pouca ação no controle da doença sobre os grãos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A FLORAÇÃO DA VIDEIRA



A FLORAÇÃO
A floração ocorre quando a caliptra se abre expondo os estames (órgãos masculinos) e o pistilo (órgão feminino). Isto ocorre normalmente 6 a 8 semanas após a brotação, dependendo das condições climáticas, e dura normalmente ao redor de duas semanas. Imediatamente após a queda da caliptra, as anteras, localizadas nos estames, se abrem e libertam os grãos de pólen. Alguns destes grãos aderem-se nas substancias liberadas pelo estigma localizado na ponta do pistilo. A secreção estimática consiste de açúcar, proteínas e nutrientes minerais essenciais ao desenvolvimento do tubo polínico. Se as condições climáticas são favoráveis, os grãos de pólen germinam e formam o tubo polínico que penetra no estigma, percorrendo todo o pistilo até alcançar o ovulo e então ocorrerá a fecundação.

                O fator climático tem grande influência na fecundação da flor e formação do fruto. Com temperaturas  abaixo de 15 oC ou acima de 37oC há inibição da formação do tubo polínico e consequentemente não ocorre à fecundação do ovulo. Baixas temperaturas interferem no processo fotossintético (causam redução momentânea de açúcar), ou agem diretamente na flor, a caliptra não se abre, enquanto que tanto nas baixas como nas altas há menor fecundação do ovulo por dificultar o desenvolvimento do tubo polínico e a própria fecundação do ovulo. Chuvas durante a floração, ou alta umidade, também reduzem a fecundação do óvulo por impedir a completa abertura da caliptra. A chuva pode também diluir o fluido estimático e isto interfere na germinação do grão de pólen e, além disso, causa a aglomeração dos grãos.

                Além das condições climáticas as flores podem ser destruídas pela ação de fungos, como a Antracnose, Botrytis e o Míldio.

Antracnose - Os cachos são suscetíveis à antracnose desde a sua formação até o inicio da maturação. As lesões no ráquis e nos pedicelos são semelhantes a que ocorrem nos brotos. Nas inflorescências, causa a seca, o escurecimento e a queda dos botões florais.

Botrytis - Após a queda da caliptra (florescimento), o fungo invade a inflorescência. No final do florescimento, a Botrytis frequentemente desenvolve-se nas caliptras mortas, estames, e nas bagas abortadas que permanecem nos cachos. Deste ponto o fungo ataca o pedicelo ou o rachis, forma pequenas manchas escuras. Estas lesões circulam o pedicelo ou o raquis e aquela porção do cacho morre e cai.  Há evidencias que os esporos infestam as flores durante o florescimento e neste estágio, podem destruir totalmente ou parcialmente a inflorescência ou permanecer latente e então não aparecerá nenhum sintoma enquanto as bagas não começarem a acumular açucares. Portanto, é muito importante a realização de aplicações preventivas de fungicidas no inicio do florescimento e no final para evitarmos o ataque por Botrytis.

Míldio - O ataque do míldio sobre a inflorescência (antes da floração) ou no cacho recém formado (logo após a floração) causa perda elevada de produção. Quando ocorre sobre a inflorescência a danifica deixando-a em forma de gancho. Na floração, o patógeno provoca o escurecimento e destruição das flores afetadas, sintomas muito semelhantes aos ocasionados pela antracnose. Nos estádios da pré-floração e em bagas pequenas, o fungo penetra pelos estômatos, causando escurecimento e secamento destes órgãos, observando- se uma eflorescência branca que é a frutificação do fungo.

Para o controle destas doenças durante a floração é aconselhável o uso de produtos sistêmicos ou de profundidade, a não ser que o tempo seja seco e então podemos usar produtos de contato.     

sábado, 8 de setembro de 2012

TRATAMENTOS FITOSSANITÁRIOS NA VIDEIRA


PROGRAMA DE TRATAMENTOS FITOSSANITÁRIOS - SUGESTÃO

 

Desde o inicio da brotação até a queda das folhas, havendo condições climáticas favoráveis, podem ocorrer doenças na videira.

                A primeira doença que normalmente aparece, mediante condições de baixas temperaturas, ventos frios e umidade, é a Escoriose. Para que ocorra o ataque é necessário um período prolongado de chuva (cerca de 10 horas) e baixa temperatura, porem os sintomas somente aparecerá cerca de 21 a 30 dias após o ataque. Esta é a razão de iniciar os tratamentos logo no inicio da brotação (ponta verde) e seguir até que o novo broto tenha 3 a 4 folhinhas abertas.

                Os produtos indicados para o controle desta doença são:

                Dithianon  e       Mancozeb.

                Realizar no mínimo dois tratamentos com um destes produtos, mas se a temperatura for baixa os brotos tendem a crescer mais lentamente e então se recomenda realizar mais um ou dois tratamentos.

                A partir do broto com 3 a 4 folhas abertas há probabilidade de ocorrer ataque de Antracnose e Míldio concomitantemente. Portanto, devemos realizar tratamentos preventivos para as duas doenças.

                ANTRACNOSE= Os conídios da antracnose germinam e causam a infecção primária quando existir água livre pelo período de 12 horas e temperatura entre 2 e 32 oC; as infecções subsequentes variam quanto ao tempo de aparecimento do sintoma em função da temperatura. Os ataques de Antracnose podem ocorrer enquanto a temperatura média se manter abaixo de 15 oC.

                No caso da Antracnose os produtos indicados são:

                Tiofanato metílico,      Difeconazole  e Imibenconazole .

               

                MÍLDIO = Na primavera quando a temperatura ultrapassar 10 a 11 oC e ocorrer uma chuva de no mínimo 10 mm, ocorre à germinação, podendo também iniciar a germinação com temperaturas entre 3 a 4 oC até 34 oC, com o ótimo entre 23 a 25 oC. O tempo decorrido entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas (mancha de óleo na parte superior da folha) é de aproximadamente 4 dias, dependendo da idade da folha, cultivar, temperatura e umidade. Cerca de um a três dias após o aparecimento da mancha de óleo surge a mancha de conídios (mancha branca) na parte inferior da folha.

                Tratando-se de controle preventivo do Míldio, devemos considerar as condições climáticas e o estágio de desenvolvimento da vegetação.

a)          – Primeira fase - A partir do broto com 3 a 4 folhas até o pré-florescimento.

Condições de tempo normais – pouca chuva

Se o tempo não for muito chuvoso podemos usar produtos de contato, preservando os de profundidade e sistêmicos para mais tarde. Produtos indicados:

Captana , Clorothalonil , Dithianon , Folpet , Mancozeb , Metiran , Propineb , Hidroxido de cobre e Oxicloreto de cobre.

       

                Condições de tempo de muita chuva

                Neste caso aconselha-se utilizar produtos de profundidade (translaminares), deixando os sistêmicos para mais tarde. Os produtos de profundidade por penetrarem no interior dos órgãos da planta não são lavados pela chuva.

                Cimoxanil + clorothalonil – usando-se este produto não há necessidade de adicionar um produto para controle da Antracnose, porque o Clorothalonil tem boa ação sobre esta doença.

                Cimoxanil + Famoxadona , Cimoxanil + Mancozeb ,        Cimoxanil + Zoxamida  ,       Famoxadone + Mancozeb , Fenamidone  e Zoxamida + Mancozeb.

                Seja qual for à condição do tempo, escolha dois ou três fungicidas e alterne-os nas aplicações.

 

b)          – Segunda fase - A segunda fase vai da pré-floração até os grãos de uva tamanho de aproximadamente um grão de ervilha. Nesta fase devemos usar produtos de profundidade ou sistêmicos, tanto para tempo seco como para tempo chuvoso, pois é o período de maior suscetibilidade ao Míldio.

Fosetil alumínio (sistêmico) , Metalaxil + Mancozeb (sistêmico e contato), Benalaxil + Mancozeb (sistêmico e contato), Azoxistrobina (profundidade), Dimetomorfe (profundidade), Iprovalicarbe + Propineb – (profundidade e contato) e Piraclostrobina + Metiran (profundidade e contato).

                Escolher dois ou três destes fungicidas e alterná-los nas aplicações.

Durante este período podemos usar Fosfito em aplicações quinzenais, que ira dar resistências as plantas contra o Míldio.

 

c)          – Terceira fase - Nesta terceira faze que vai da uva tamanho de um grão de ervilha ao início da maturação, os fungicidas a serem aplicados devem ser escolhidos em função das condições climáticas.

Condições de tempo normal – pouca chuva - Usar fungicidas de contato ou a base de cobre.

Condições de tempo chuvoso -     Escolher dois ou três produtos de profundidade que não tenham sido utilizados nas outras pulverizações.

A partir do grão de uva tamanho de um grão de ervilha, não devemos mais usar fungicidas sistêmicos porque a partir deste estágio a transpiração dos grãos de uva cai muito e como os sistêmicos se locomovem pela rota da transpiração, a quantidade de fungicida que chega ao grão é muito pequena ou nula e por isso não haverá controle da doença na uva, embora controle nas folhas.

OBS = em todos os tratamentos deve ser adicionado à calda de fungicida o Espalhante Adesivo.

OÍDIO

                Um método eficiente de prevenir o ataque de Oídio é a pulverização com enxofre molhável e o bom manejo da copa, copa aberta de modo que circule o ar e penetre o sol. As pulverizações devem começar quando a brotação tem cerca de 20 cm de comprimento repetidas quinzenalmente.

 

 

BOTRYTIS

                Há evidencias que os esporos infestam as flores durante o florescimento e neste estágio, podem destruir totalmente ou parcialmente a inflorescência ou permanecerem latentes e então não aparecerá nenhum sintoma enquanto as bagas não começarem a acumular açucares. Por este motivo, os tratamentos devem ser realizados nas seguintes épocas:

                1o tratamento – quando cerca de 2% das flores estiverem abertas. Nesta fase devemos aplicar um produto sistêmico ou de profundidade: Procimidone (sistêmico);  Pyrimethanil (profundidade) e Pyrimethanil + Iprodione (profundidade e contato).

                2o tratamento – 80% das flores abertas. Repetir o tratamento com Procimidone,  Pyrimethanil ou Pyrimethanil + Iprodione.

                3o – Tratamento – Fechamento dos cachos. Nesta fase o sistêmico tem pouca ação. Portanto, aplicar um produto de profundidade. Pyrimethanil ou Pyrimethanil + Iprodione.

                4o – Tratamento – Inicio da maturação. Desta fase em diante, os sistêmicos e os de profundidade não são absorvidos pelos grãos de uva. Por este motivo durante a maturação da uva devemos aplicar produtos de contato.

                Iprodione

OBS – todos os tratamentos para prevenção da Botrytis devem ser direcionados aos cachos.

PODRIDÃO DA UVA MADURA (Glomerella)

                Os frutos são suscetíveis a infecção durante todos os estágios de desenvolvimento desde as bagas recém formadas até a maturação, mas não apresentam nenhum sintoma antes da maturação.

                A literatura mostra que há dois picos de liberação de conídios, no inicio da primavera, quando muitos frutos mumificados da safra anterior estão presentes e, durante a maturação da uva, devido à presença de frutos em estado de apodrecimento.

                Recomenda-se realizar tratamentos nas seguintes fases:

                1o Tratamento – Limpeza do grão – Este tratamento deve ser feito com um fungicida sistêmico ou de profundidade.

                Tebuconazole (sistêmico), Tiofanato metílico (sistêmico), Piraclostrobina + Metiran (profundidade).

                2o Tratamento – Fechamento dos cachos. Neste estágio os sistêmicos são de pouca eficácia, aplicar um produto de profundidade.

                3o Tratamento – Próximo ao inicio da maturação. Aplicar um produto de profundidade. Piraclostrobina + Metiran.

                A partir do inicio da maturação aplicar produtos de contato, pois neste estágio o grão de uva está com os estômatos fechados e não há mais absorção.

                Capatana ,         Folpet  e    Mancozeb .

                O uso de produtos fertilizantes a base de cálcio ajudam a enrijecer a casca da uva e dá maior resistência contra a Glomerella. Os tratamentos devem iniciar por ocasião do fechamento do cacho.

                A eficiência da aplicação de produtos fitossanitários está em colocar a quantidade de ingrediente ativo necessário no alvo para que este exerça sua ação sobre a praga de forma segura, sem riscos ao ambiente e a saúde humana. Sendo assim, equipamentos adequados e calibrados, manuseados por aplicadores treinados são condições essenciais para o aumento da eficiência ou aumento da cobertura do alvo.  A cobertura do alvo esta relacionado com o volume de aplicação ou litros de calda aplicado em um hectare, uso de adjuvantes que quebram a tensão superficial da água e aumentam a superfície de contato da gota gerada no processo de pulverização, denominados por surfactantes ou como Espalhante.

OBS = usem somente produtos registrados para a cultura, na dosagem recomendada e respeitem o período de carência de cada um.